segunda-feira, 11 de novembro de 2013

O tamanho do problema de cada um

Outro dia, conversei com um amigo meu sobre um certo problema seu que, de certa forma, acabou, ainda que de forma indireta, me envolvendo um pouco. Vendo a situação “de fora” tentei colocar um pouco de meu ponto de vista sobre o assunto, analisando, que de certa forma, o problema já estava se resolvendo bem na sua frente e que ele ainda não tinha percebido.

Ele, por sua vez, me surpreendeu, colocando sua visão sobre um outro problema, que, por acaso era meu, e que ele também havia pensado sobre e achava que seria muito mais fácil de resolver do que eu acreditava que fosse naquele momento. Eu, por outro lado, continuava (e ainda hoje continuo) achando que se trata de um dilema muito mais complicado do que ele queria me fazer acreditar que era.

A conversa foi até curta, mas me fez chegar a algumas conclusões sobre os relacionamentos humanos: 1. Todos nós temos soluções simples eficazes para os problemas dos outros, que não fazemos parte diretamente; 2. Ninguém consegue solucionar seus próprios problemas (que são os que realmente interessam!) de forma tão fácil quanto imagina que conseguiria ajudar os outros a solucionarem os seus.

Na dúvida, fica valendo aquela boa e velha máxima do tempo de nossos avós (pelo menos, dos meus) que vão passando de geração em geração quase que de forma inalterada e que aqui vou colocando como a conclusão de n° 3 e também a mais importante: “olha pro teu rabo, macaco”. Traduzindo: Se preocupa primeiro em resolver os seus problemas, que é muito melhor pra todo mundo.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O que nos prende?

Costumava pensar que não me prendo a coisas e lugares, mas apenas a pessoas. Mas, refletindo sobre o assunto recentemente e, apesar de ainda ser verdade que me prendo a pessoas, observei que essa não é toda a verdade. Percebi que também me prendo a coisas, sobretudo as não-palpáveis, intangíveis.

Me prendendo a elas, vi que não importa o lugar, não importa se estamos sozinhos ou com alguém que não é exatamente aquela pessoa que queríamos estar, conseguimos viajar na velocidade do pensamento estar naquele momento até quem queremos estar perto, ou já quisemos algum dia, especificamente no dia que “aquela canção” específica nos faz lembrar. Tem vez que nem é a que mais gostamos, mas acabou se tornando interessante por, somado a várias outras experiências porque passamos em nossas vidas e à nossa memória afetiva, acabou se tornando marcante.

Há alguns anos comentei com meu irmão mais novo que gostava muito da canção “O mundo anda tão complicado”, da Legião Urbana, dizendo o quanto a letra era bonita e ele, de cara, disse que era muito bomba (o que não deixa de ser verdade, de certa forma), pois apenas falava da rotina de um casal que há pouco começara a morar junto e para quem não vive ou não está prestes a vivenciar situação parecida (como era o caso dele, à época de nossa conversa), acaba realmente desinteressante e até chato.

Nossos pontos de vista eram bem distantes um do outro porque vivenciávamos momentos diferentes de nossas vidas. Eu, namorando já há alguns anos, na iminência de viver pessoalmente tudo aquilo tratado na canção. Ele, cinco anos mais jovem, não se ligava em nada daquilo e achava tudo uma grande bobagem, àquela altura de sua vida.

Hoje, distantes, há algum tempo não conversamos sobre coisas desse tipo, para relembrar daquela conversa que tivemos em um dia perdido de nossas vidas. Talvez, hoje, tenhamos pontos de vista mais afinados um com o outro, já que ele já vive algo semelhante ao que ainda vivo atualmente. 

Algo como uma canção nos faz viver e reviver momentos marcantes de nossas vidas. Por isso hoje admito que me prendo sim, a coisas, principalmente à canções, que me levam à pessoas, lugares e até mesmo outras coisas que desejamos ter por perto.

Confira abaixo a letra da canção e veja se também te marca te alguma forma:


O mundo anda tão complicado
(Renato Russo, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá)

Gosto de ver você dormir
Que nem criança com a boca aberta
O telefone chega sexta-feira
Aperto o passo por causa da garoa
Me empresta um par de meias
A gente chega na sessão das dez
Hoje eu acordo ao meio-dia
Amanhã é a sua vez

Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você.

Temos que consertar o despertador
E separar todas as ferramentas
Que a mudança grande chegou
Com o fogão e a geladeira e a televisão
Não precisamos dormir no chão
Até que é bom, mas a cama chegou na terça
E na quinta chegou o som

Sempre faço mil coisas ao mesmo tempo
E até que é fácil acostumar-se com meu jeito
Agora que temos nossa casa
é a chave que sempre esqueço

Vamos chamar nossos amigos
A gente faz uma feijoada
Esquece um pouco do trabalho
E fica de bate-papo
Temos a semana inteira pela frente
Você me conta como foi seu dia
E a gente diz um pro outro:
- Estou com sono, vamos dormir!
Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você

Quero ouvir uma canção de amor
Que fale da minha situação
De quem deixou a segurança de seu mundo
Por amor.